Meu filho ainda nem nasceu e já se estressa no trânsito de São Paulo

Aconteceu um dia desses: meu filho, com cerca de 7 meses na barriga da mãe, ficou estressado com o trânsito de São Paulo. 

Estávamos em um dos piores trechos de trânsito do Baixo Pinheiros: logo após a junção da rua Butantã com a Pais Leme virando a Teodoro Sampaio, metros antes do cruzamento em que o motorista é apresentado a 6 opções: seguir na Teodoro Sampaio, ou ir para a rua dos Pinheiros, rua Cardeal Arcoverde e rua Cláudio Soares, além dos dois sentidos da avenida Faria Lima.

Como é o fim de uma bifurcação, carros, ônibus e motos cruzam de um lado para o outro tentando atingir seus próprios objetivos, demonstrando pouco apreço à integridade física do próximo. Mais à frente, pedestres, bicicletas e patinetes demonstram pouco apreço à própria integridade física furando sinais, andando na contramão e atravessando fora das várias faixas disponíveis. É um pequeno caos diário repetido em várias partes da cidade.

Vínhamos pela terceira faixa, mais à direita, apropriada para pegar a rua dos Pinheiros, quando um carro nos fecha vindo da direita para pegar a esquerda na Faria Lima, um movimento completamente despropositado. 

Eu estava ao volante e consegui fazer uma manobra evasiva e frear sem bater em ninguém, enquanto o arrombado seguiu para seu próprio objetivo sem arrependimentos. Minha senhora, no entanto, tomou um grande susto, o que acabou se refletindo no nosso menino em sua barriga pela descarga de adrenalina.

O bebezinho ficou doidão. A mãe dele imediatamente disse “nossa, olha como ele ficou assustado”. Dava para ver os movimentos das perninhas e bracinhos pela barriga. Imagino que, como bom paulistano, ele deve ter levantado o dedo do meio para o cretino do outro carro, além de talvez ter preparado uns golpes de caratê caso precisasse sair no braço. Se soubesse falar, talvez tivesse gritado “cê tá loco, mano?”

Bebê estressado fazendo movimentos
Imagem meramente ilustrativa

O guri foi agitado até o destino final, a Sala São Paulo, no Centro de São Paulo. Botamos música clássica calma no carro e fomos no caminho dizendo que estava tudo bem. No fim, funcionou, mas ele ainda ficou com soluços, coitado.

Os movimentos do bebê na barriga da mãe

Ao final do show, comemos um docinho antes de ir para casa. Foi a senha para uma pequena festa na barriga da minha senhora. Notamos que o nosso neném fica animadinho quando ela come, principalmente quando tem açúcar na receita.

Os movimentos começaram a ficar mais visíveis no final do segundo trimestre, que é quando o crescimento do bebê acelera e as coisas começam a ficar mais apertadas. Para completar, o meu filho é pernudo e cabeçudo como o pai, então do nada aparecem volumes divertidos na barriga da mãe.

A primeira vez que consegui sentir ele se movendo foi muito emocionante. No começo é com o toque da mão e, ao menos para o pai, é o momento em que a mágica da gravidez se torna literalmente palpável. Depois, passa a ser visível, e a gente fica se perguntando qual parte do corpinho dele está aparecendo ali em volta do umbigo. Como eu disse, a cabeça e as perninhas são sempre as principais candidatas a estarem dando espetáculo.

Na semana passada, vimos um movimento por ali que só poderia ser classificado como uma ola de arquibancada. Pode ser a proximidade da Copa do Mundo, quem sabe ele já está entrando no clima. Aliás, a previsão do parto é para poucos dias antes da final, então vamos torcer para que ele seja pé-quente e traga o hexa para o Brasil.

Nada é mais engraçado, porém, que quando ele está soluçando. Dá para ver os pequenos pulinhos repetidos em intervalos fixos na barriga. Eu fico imaginando como ele deve ficar confuso, tadinho.

É muito doido, aliás, ficar imaginando o que se passa na mente dele nesse período, qual é a percepção que ele tem de seu mundo diminuto. O que será que ele está tentando empurrar, chutar ou cabecear? É vontade de vir aqui para fora? O mundo é meio assustador, filho, não precisa ter pressa não…

Comecei a conversar mais com o nosso filho

Estimulado pela minha esposa, comecei a conversar mais com o meu filho. Conto como foi o meu dia, explico alguma coisa que está acontecendo conosco ou mesmo falo coisas bizarras para fazer a mãe dele rir. Quando ele está soluçando, depois que paro de rir garanto a ele que logo aquilo vai passar e que vai estar tudo bem.

Brincadeiras à parte, dizem que é importante o bebê aprender como é a voz do pai ainda na barriga, porque, quando estiver do lado de fora, ela vai ser um elemento importante para que ele se sinta seguro.

Também cantamos algumas músicas e fazemos carinho na barriga, principalmente quando seu pequeno cabeção está saliente. Temos certeza que ele sente, principalmente quando se acalma.

A história do carro foi, com certeza, o único momento de estresse do nosso pequeno paulistano até agora. A mãe dele diz que ele está se comportando à noite, permitindo que ela durma bem. Estamos na torcida para que ele continue assim tranquilo quando sair do quentinho da barriga e chegar a esse mundão em pleno inverno.

E a gente vai estar sempre por perto para uma boa conversa e um carinho para acalmá-lo, mesmo que seja no trânsito de São Paulo.

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Comentários

Uma resposta para “Meu filho ainda nem nasceu e já se estressa no trânsito de São Paulo”

  1. Avatar de Claudia Nicolazzi Volpato Andrade
    Claudia Nicolazzi Volpato Andrade

    Owwmm fiquei imaginando a carinha do Nino! Com soluço inclusive, mas sem fazer dedo do meio😄
    Será que ele vai ser calminho como o papai?🥰🥰

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