O título deste post é uma brincadeira com o livro O que esperar quando você está esperando, que eu e minha senhora estamos lendo enquanto… bem, você adivinhou, estamos esperando a chegada do nosso filho. Mais adiante falarei sobre ele.
E, no momento, é isso mesmo o que estamos fazendo: esperando. Estive pensando sobre isso nos últimos dias, como é engraçado estarmos vivendo um momento único não apenas no sentido óbvio, o de que vamos ter um filho, mas também no embaralhamento temporal que se passa nas nossas cabeças.
Há cerca de oito meses, vivemos a euforia de receber o exame positivo. Como eu já escrevi aqui no blog, ainda não me senti pai naquele dia, apenas entrei em um modo “espero que dê tudo certo”. De qualquer forma, foi como entrar em um limbo.
Pessoalmente, tenho dificuldades em focar em mais de uma prioridade ao mesmo tempo. Ou mesmo de focar em apenas uma prioridade. Então, está sendo estranho ter que basicamente continuar vivendo uma vida normal enquanto o foco da minha vida é esperar o meu guri chegar.
Mas acho que podemos estabelecer que eu sou bem estranho.

O que fazer quando você está esperando
E podemos combinar, também, que a vida normal já mudou um pouco. Mas, mesmo assim, nada que se compare à pequena e fofa revolução que está prestes a chegar.
Só que não é possível parar tudo e ficar só esperando durante esses 9 meses. Tem muita coisa para planejar e preparar, mas mesmo essas atividades não tomam todo o tempo. Também não é saudável ficar consumindo apenas conteúdo sobre paternidade, até porque tem muito terrorista ganhando dinheiro por aí enquanto assusta pais de primeira viagem.
Os problemas de outras áreas da vida continuam surgindo, alguns até bem assustadores, como foi o caso do meu tumor testicular. A vida não para, como diria Lenine, e o tempo também não, complementaria Cazuza.
As atividades profissionais também não param. Nós costumamos brincar que não vemos a hora de terminar essa espera para podermos finalmente descansar e tirar umas férias.
Assim, eu e minha senhora — mais ela que eu, naturalmente — estamos nos adaptando à nova realidade com uma boa dose de tranquilidade e bom humor. Ela e o bebê estão super saudáveis, e não há nada mais importante que isso. E eu também estou curado, caso você tenha se assustado com a informação que eu joguei do nada no parágrafo anterior.
Estamos nos informando sem ficar neuróticos, conversando com amigos e ouvindo as histórias que eles têm para contar. No meu caso, o conselho campeão é “aproveita para dormir agora”, o que felizmente estamos conseguindo fazer bem.
Continuamos fazendo exercícios e nos alimentando de forma saudável. Ah, eu inclusive parei de beber para acompanhar o jejum etílico forçado da grávida. Você talvez se surpreenda com a crescente qualidade dos coquetéis não-alcoólicos que estão sendo servidos nos restaurantes de São Paulo e Florianópolis. Eu cheguei a propor que continuássemos sóbrios após o bebê chegar, mas fui desencorajado por basicamente todas as pessoas ao meu redor, principalmente pais e mães.
E tivemos tempo para celebrar o nascimento do nosso filho, mesmo que isso ainda não tenha propriamente acontecido. Mas ele já está aqui, como faz questão de anunciar todos os dias movendo-se animadamente pela barriga da mãe.
Falando em celebração, uma das coisas mais legais que acontecem enquanto você está esperando é receber o carinho de pessoas queridas. Ele se manifesta de diversas formas, mas a vinda de um bebê ainda emociona e desperta alegria genuína em quem gosta de nós. Sabemos que o nosso menino terá vários tios e tias que também vão gostar dele e vão torcer com muito entusiasmo para que tenha uma vida feliz.
Mas e esse livro sobre esperar quanto está esperando?
Nesses meses todos, estamos aprendendo constantemente. Por exemplo: se você acompanha o blog, vai ficar feliz em saber que conseguimos finalizar a montagem do berço. Também descobri que os cueiros vão ser grandes companheiros de jornada do meu filho, principalmente nos primeiros meses.
Recentemente, no entanto, fui pego de surpresa pela existência de algo conhecido como “roupa de saída da maternidade”. Custa caro e o bebê só usa, em tese, uma vez.
Minha maior fonte de aprendizado, porém, está vindo de um livro já clássico da literatura gestante: O que esperar quando você está esperando, da americana Heidi Murkoff. É considerado a bíblia da gravidez, com mais de 20 milhões de cópias vendidas.
Ele é totalmente focado na mãe, por motivos óbvios, explicando tudo o que costuma acontecer em cada semana da gravidez. Há descrições detalhadas — mas não chatas ou médicas demais — de todas as etapas do desenvolvimento fetal e das consequências para o corpo da mulher. Possíveis problemas também são apresentados, mas sem ser alarmista ou terrorista como alguns anúncios de Instagram.
A edição mais recente, de 2023, tem pequenos trechos dedicados aos homens. Veja a seguir um trecho que eu marquei:
Você acha que, só porque é homem, está imune às oscilações hormonais da gravidez? Não é bem assim. As pesquisas revelam que futuros e novos pais experimentam queda do famosamente masculino hormônio sexual testosterona e aumento do famosamente feminino hormônio sexual estrogênio. E essas flutuações hormonais, que são comuns em todo o reino animal, não são aleatórias nem sinal do senso de humor distorcido da Mãe Natureza. Especula-se que elas foram projetadas para aumentar a ternura dos machos, estimular o lado acolhedor do homem e despertar o pai que há nele. O que não somente o prepara para as trocas de fralda à frente, mas também o ajuda a lidar com as mudanças (inclusive na dinâmica do relacionamento) que o casal está enfrentando. Essas oscilações hormonais também podem gerar estranhos e surpreendentes sintomas de gestação em futuros pais.
Isso explica porque você, que me conhece pessoalmente, está me achando mais fofo ultimamente. Brincadeiras à parte, o que mais achei relevante no livro é que me ajudou a entender o que a mãe do meu filho está passando. E aqui me refiro às coisas boas e aos incômodos, tanto na parte física quanto emocional.
Como ela também está lendo, trocamos figurinhas e comentamos coisas que nos chamam a atenção. Coisas fascinantes como o fato de que, na 27ª semana, o bebê tem mais papilas gustativas do que terá ao nascer e, assim, consegue sentir e reagir a diferentes gostos através do líquido amniótico. Ou que os divertidos soluços, que podem ser sentidos através da barriga da mãe, são o diafragma treinando para aprender a respirar.
Agora, com o parto se aproximando, estou aprendendo com o livro todas as possibilidades e as etapas desse momento que minha senhora e meu filho vão viver intensamente. Eu vou estar por ali tentando ajudar, feliz por esses meses de espera estarem terminando com a chegada de um bebê saudável pronto para uma vida bonita conosco.
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