Quando foi que eu resolvi que queria ser pai? Esse dia existiu mesmo?

Quando me perguntam como foi a decisão de ter um filho, minha resposta em geral aborda aspectos que fizeram eu e minha senhora aprovarmos a ideia conjuntamente. “Mas você queria ser pai?”, costuma ser a pergunta complementar, ao que respondo com sinceridade que não, nunca quis, mas também que nunca não quis. 

Deu para entender? Pois é, as pessoas que conversam comigo também se frustram com as minhas respostas. Sendo justo, eu frustro as pessoas em conversas sobre os mais variados assuntos, não só sobre paternidade.

É claro que, a cada dia que passa da gravidez, eu fico mais encantado com tudo o que está acontecendo, sorrindo toda vez que veja a barriga da Manu. Mas a decisão de ter um filho, ao menos para nós, não teve um componente mágico ou transcendental, como ocorre com muitos pais e mães.

Não sei se é melhor assim, mas é assim que foi. Entender que cada casal tem as suas particularidades é importante até para embasar decisões e fazer escolhas.

Um nódulo acelerou a decisão de ser pai

Eu e minha esposa conversamos sobre o assunto filhos há muitos anos. E por muitos anos, decidimos esperar mais alguns anos. Até que, no ano passado, decidimos: ia ser neste ano. Ou naquele ano, no caso.

Mesmo assim, fomos postergando. Até que um nódulo surgiu na minha vida. Ou no meu testículo direito, mais especificamente. 

Eu contei essa história, em detalhes, em dois posts no meu site sobre assuntos gerais, o Blog do Bruno Volpato. Você pode lê-los (ou ouvi-los, já que há versão em áudio) abaixo, mas vou resumir depois dos links:

Isso aconteceu no fim de setembro do ano passado. Entre tantas dúvidas daquele período, havia apenas uma certeza: eu eventualmente teria que retirar um testículo. Isso não necessariamente afetaria a minha capacidade de ser pai, porém havia ainda a possibilidade de, dependendo do diagnóstico preciso do tumor, ter que fazer tratamento oncológico, o que me deixaria temporariamente estéril.

As implicações psicológicas eram bem fortes, como conto nos posts. Nos primeiros dias, eu não sabia quão grave era a situação, então havia ainda o peso inimaginável de talvez não estar mais aqui em breve. Felizmente, esse pior cenário foi rapidamente descartado.

E, no fim das contas, já no começo de novembro estávamos com um exame de gravidez positivo em mãos. Foi o momento mais emocionante da minha vida, superado apenas pela primeira vez em que ouvi o coração do meu filho batendo em um ultrassom.

decidi que queria ser pai

Não há momento certo ou errado para ser pai

Isso não quer dizer que eu decidi ter um filho porque tomei um baita susto de saúde, mas é claro que mexeu comigo. Só que não foi o único motivo.

É engraçado pensar que, na verdade, a decisão de ter um filho é que potencialmente me fez descobrir um tumor cedo e, quem sabe, salvar a minha vida. Afinal, eu só descobri o nódulo após uma investigação iniciada com um espermograma.

Fui meio relutante mostrar os resultados do exame a um urologista, já que os números pareciam ok. Só que ele pediu um ultrassom, que apontou a existência de um nódulo. E assim minha vida virou de ponta-cabeça por um tempo. Está tudo contado em detalhes naqueles links ali em cima no texto, espero que você leia.

Eu inclusive até escrevi aqui neste blog sobre o espermograma, mas, à época, decidi não contar sobre o que veio a ser descoberto depois dele. Sim, havia um limite para o quanto eu poderia expor sobre a minha vida pessoal, por incrível que pareça.

Mas meu ponto é que a virada de chave para a paternidade envolveu vários fatores relativos a mim e à minha senhora. Houve sim um evento que acelerou, mas a decisão de ter um filho, para nós, foi uma construção de quase 15 anos de um relacionamento saudável. 

E isso não quer dizer que seja o ideal. Biologicamente não é, por exemplo.

Coincidências da vida e dos pais

A compreensão de que chegou a hora de ser pai é muito individual ou do núcleo familiar, portanto. Talvez tenha sido assim com você, talvez não. Talvez seja no futuro, talvez não.

Ou talvez você tenha um filho maravilhoso que surgiu ou surgirá sem ser planejado. Tirando a parte do “maravilhoso”, acho que foi assim que eu vim para o mundo: meu pai tinha 43 anos e a minha mãe 38, e os meus irmãos tinham 17, 15 e 12 anos. Meus pais sempre juraram que não, que eu fui desejado, mas eu desconfio.

E, meio que para provar o meu próprio ponto, eu também vou ser pai aos 43 anos. Só que sou um homem completamente diferente do que ele era quando tinha essa idade. Mesmo assim, espero honrar o legado do meu pai, que nos deixou há quase um ano, e ser um bom pai-avô para o meu filho.

No fim das contas, cada um é cada um e cada momento é um momento, mesmo com essas coincidências. A vida é imprevisível, mas é bonita ao seu jeito. Fazendo planos ou não, aproveite-a ao máximo.

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