O dia em que eu descobri que seria pai (e o outro em que me senti pai)

Eu nunca sonhei em ser pai, então também nunca tive aquele cenário mental do dia em que receberia a notícia de que teria um filho. Acho que só tinha aqueles clichês de filme na cabeça, com a esposa mostrando o exame de farmácia e a gente chorando.

E foi exatamente assim que aconteceu. Estávamos em Florianópolis, no apartamento da minha família, quando minha senhora me chamou no meu antigo quarto. Ali, me mostrou o exame com as duas linhas, então nos abraçamos e choramos juntos.

Em geral, dizem que o pai só sente pai quando vê o filho nascendo, ao contrário da mãe, que se sente mãe desde o começo da gravidez, por motivos óbvios. Eu não me senti pai ali.

Senti, por outro lado, um amor enorme pela Manu. Não imaginei cenários, não visualizei uma criança, não senti alegria nem medo, nada disso; apenas olhei para a minha companheira nessa jornada doida que é a vida e fui tomado por um sentimento gigantesco de amor por ela ter me convidado para a maior das nossas aventuras.

E por tudo o que vivemos até chegar àquele momento, claro.

O dia em que eu soube que ia ser pai

Como não poderia deixar de ser na nossa história, a revelação teve tons de comédia. A Manu fez o primeiro teste no dia 5 de novembro, ainda em São Paulo. Deu positivo.

Eu tinha saído para jantar com dois grandes amigos. Era um restaurante japonês espetacular, com sushis e sashimis deliciosos e muito criativos. As rodadas de saquê foram se seguindo. Eu ia avisando do adiamento do retorno para casa por WhatsApp para a Manu, que resolveu dormir lá pela meia-noite.

Só fui chegar em casa às 2 da manhã, feliz pela grande noite gourmet com os amigos. Mal sabia que teria ficado ainda mais feliz caso tivesse voltado para casa cedo.

Na tarde seguinte, iríamos para Floripa. Já pela manhã, meu fígado cobrou explicações de por que um homem de mais de 40 anos bebeu como um adolescente. Já no aeroporto de Congonhas, talvez a Manu quisesse me contar, mas teve que se contentar com uma foto minha dormindo em uma poltrona da sala VIP.

E ainda era aniversário do meu saudoso pai, então seria perfeito. Mas eu não estava em condições.

Foi assim que ficou para o dia 7 de novembro. No meu velho quarto, no meu velho apartamento, eu descobri que iria ser pai. E, principalmente, que amava a mãe do meu filho mais do que nunca.

Quando eu verdadeiramente me senti pai

Eu só fui me sentir pai mesmo no dia 26 de novembro. Aconteceu no dia do primeiro ultrassom da gravidez. E foi a primeira vez que eu ouvi o coração do meu filho batendo.

Foi bem rápido, e as batidas eram bem rápidas. E assim, bem rapidamente, a minha vida mudou completamente. Para completar, eu estava passando por uma investigação de um nódulo testicular, com alta probabilidade de ser maligno.

Eu contei essa história no meu outro blog, depois dê uma lida lá.

Então, misturada a emoção daquele momento, estava o sentimento de que eu precisava ficar saudável e viver muito para proteger a Manu e estar do lado dela para essa aventura.

Foi então que eu me dei conta que o tal amor inigualável pelo bebê pelo jeito só vai surgir para mim mesmo quando ele nascer, quando se materializar na minha frente. Mas, naquele momento, o amor pela mãe dele explodiu de vez, e ganhou um novo significado.

Eu agora era pai. E precisava honrar isso desde aquele momento, sendo um bom homem e um bom marido.

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