Fiz um espermograma para saber se, afinal, eu posso ser pai ou não

Antes de mais nada: eu ainda não sou pai e nem a minha esposa está grávida. Para entender a proposta deste blog, por favor leia a página de apresentação.

Enquanto a mulher precisa fazer uma série de exames para avaliar sua aptidão física à maternidade, o homem só tem uma coisa a fazer: um espermograma. Por isso, fui fazer esse negócio aí para ver se, afinal de contas, eu poderia ser pai ou não.

Seria uma boa confirmar, né, até para eu continuar fazendo este blog.

Eu até vou com regularidade ao médico, mas honrando a tradição masculina de agir de maneira diametralmente oposta às mulheres quando se trata “das partes”, ainda não tinha um urologista. Assim, minha senhora pediu à ginecologista que fizesse uma requisição em meu nome. E o seguro aceitou de boas, viu? Então fica a dica para você leitor.

Como é fazer um espermograma

Não se preocupe, não vou falar sobre o durante, mas sim sobre o antes e depois do exame. Só digo que o copinho não é muito pequeno nem muito grande, então tem que mirar bem.

Na triagem, para confirmar a aprovação do convênio, a moça da recepção tentou puxar papo:

– Bom dia! O exame do senhor é com coleta?

– É.

– Ok, é de sangue?

– Não.

– Qual é o exame?

– Espermograma

– Ah, ok.

Não julgo; se eu fosse ela, também daria um jeito de me divertir elegantemente com homens constrangidos por algo que deveria ser normal.

Fui informado, então, que seria levado para uma salinha especial por uma técnica de enfermagem. Pensei comigo mesmo “não é possível que vai ter uma televisão e um videocassete”.

Era possível sim, e errei por pouco: tinha uma televisão — desnecessariamente grande — e um aparelho de DVD. Infelizmente não tirei fotos das produções audiovisuais oferecidas, mas pareciam ser produções brasileirinhas.

Os eletrônicos ficavam em uma antessala do banheiro, com uma porta externa e uma interna. Na dúvida, tranquei ambas.

Antes de trancar, porém, recebi um questionário da enfermeira. Ela fez questão de higienizar a caneta com álcool na minha frente, antes de eu pegá-la na mão para escrever as respostas. Achei atencioso da parte dela.

Depois do ato, toquei uma campainha para indicar que havia finalizado. O copinho com a amostra ficou lá no banheiro, eu me despedi da técnica de enfermagem (sem olhar na cara dela, claro) e fui comer o lanchinho disponível para todo mundo que faz exames.

Era um sanduíche meio sem graça, com um cappuccino de máquina. Não disponibilizavam cigarros.

E o que um espermograma traz no resultado

Bom, depois de alguns dias apareceu o resultado no sistema. Surpreendentemente, trouxe a imagem abaixo.

Espermograma

Brincadeira, o espermograma não é um exame de imagem, claro. Por outro lado, eu fiquei genuinamente surpreso com a quantidade de fatores que são avaliados. Vou listá-los abaixo:

  1. Análise macroscópica: volume, liquefação, viscosidade, aspecto, cor e pH.
  2. Análise microscópica: concentração espermática, concentração espermática em relação ao volume total, células germinativas, leucócitos e hemácias.
  3. Motilidade: total e graus A, B, C e D, além de morfologia estrita de Kruger.
  4. Capacitação espermática: volume processado, concentração espermática, motilidade e graus A, B, C e D.

Em resumo, para que você não se deixe levar pela ansiedade, vou adiantar o que importa: eu não sou estéril, está tudo certo!

O único senão do resultado foi a morfologia estrita de Kruger, que veio abaixo do esperado. De acordo com o urologista, ele é meio controverso, mas indica se os espermatozóides têm o formato ideal. Os meus teriam alguns defeitos na cabeça.

Puxaram o pai, portanto, seja qual for a leitura: eu tenho uma cabeça volumosa por fora e meio problemática por dentro.

Outro porém foi na motilidade. É importante ter espermatozóides que sejam bons de natação e foquem no resultado, tipo um Michael Phelps. O grau D é o imóvel, idealmente representando no máximo 60% do total; meu exame deu 55%, então ok.

Os graus A, B e C somados estão dentro do esperado, mas seria melhor que eu tivesse mais As, que são os que nadam mais rápido e em linha reta rumo ao óvulo. Ou até a tampinha do frasco no exame, coitados.

De acordo com os médicos, tudo isso é superado pelo fato de eu ter uma concentração espermática elevadíssima. E não estou me achando, deu tipo umas 8 vezes o valor de referência. Também conta ao meu favor que, após a capacitação espermática, que é tipo uma limpeza de líquidos inúteis do sêmen, meus As foram para 80%.

Fertilidade não é ciência exata

Então foram boas notícias. Minha idade, 42 anos, ainda pesa, é claro. Mais de um médico já me falou que fertilidade não é ciência exata, então o jogo só termina quando acaba, como diriam os filósofos da(s) bola(s).

De qualquer forma, já valeu fazer esse exame de espermograma e me consultar com um urologista. Independentemente do que aconteça, esse vai passar a ser um hábito recorrente a partir de agora, assim como já vou a outros médicos periodicamente.

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