Caminhando na Faria Lima e pensando no futuro, enquanto desvio de nóias

Antes de mais nada: eu ainda não sou pai e nem a minha esposa está grávida. Para entender a proposta deste blog, por favor leia a página de apresentação.

Já escrevi dois posts sobre treinos de musculação. Estou no terceiro treino diferente agora, após me enrolar com o segundo por causa de viagens e das festas de fim de ano. O atual não tem grandes destaques, além de um inacreditável exercício chamado sumô, em que eu faço leg press como se estivesse numa cadeira obstétrica parindo.

Até faria sentido se eu estivesse treinando para ser mãe, mas não é o caso. Só que, relendo os posts anteriores, notei que não mencionei nada sobre exercícios aeróbicos.

Eu não corro mais e tenho certeza que qualquer tentativa de pedalar resultaria em queda e fratura, mesmo na bicicleta ergométrica, então me resta caminhar na esteira e nas ruas de São Paulo.

Esta última opção é a que mais me agrada e a que mais se repete.

O trecho ideal para caminhar na Faria Lima

Quando morava em Florianópolis, eu caminhava no calçadão da avenida Beira-mar Norte. É um belo cenário, com o mar ao lado e a companhia de atletas de todos os níveis queimando calorias, preparando seus corpos para a praia.

Já quando vim para São Paulo, a ideia de ir diariamente a um parque foi rapidamente descartada, pela perda de tempo com o deslocamento. Assim, acabei adotando as calçadas largas da avenida Faria Lima, partindo do Largo da Batata. É a parte mais velha e menos glamourosa da via que concentra grande parte do PIB brasileiro.

Aliás, se você subir um pouco a Faria Lima em direção ao Instituto Tomie Othake, vai se deparar com ainda menos glamour. Ainda restam por ali algumas casas de entretenimento adulto de baixa reputação. Tem umas em ruínas, que você não sabe se ainda funcionam.

Mas a área está passando por uma renovação e quase tudo por ali está indo abaixo, virando prédios ou estacionamentos.

A minha caminhada, porém, vai em direção à Faria Lima chique. Do meu prédio até a famosa baleia, aquela que virou meme no Natal, dá mais ou menos meia hora em ritmo acelerado, para você ter uma ideia.

Eu faço meia volta um pouco antes, porém, quando chego no cruzamento da avenida Cidade Jardim. O trânsito começa a ficar mais chato, os coletinhos de startupeiro mais frequentes e os pilotos de patinetes elétricos ainda mais irresponsáveis.

As atrações de uma caminhada na Faria Lima

Como eu disse, o grande ativo da Faria Lima para um aeróbico moderado é a largura de suas calçadas. Elas chegam a ser bem maiores que o calçadão da Beira-mar, em Floripa. E, dependendo do horário, tem menos carros parados soltando fumaça do seu lado.

Se não tem mar, quando vou bem cedinho tem as pequenas poças de urina dos mendigos ou o aguaceiro dos comerciantes lavando as pequenas poças de urina dos mendigos com mangueira e sabão. Tenho a impressão que esse, aliás, é o trabalho de entrada da maioria das lanchonetes de rua em São Paulo.

Alguns moradores de rua da região são bem peculiares. Em uma caminhada no ano passado, um deles se invocou comigo e gritou, em um inglês britânico perfeito: “what are you looking at, you fucking wanker?” Fui obrigado a rir, mas com respeito.

caminhando na faria lima

Por sinal, essa foi a única vez nesses anos todos que fui hostilizado. Nóia é como todo paulistano: só quer saber de cuidar da própria vida. Também não sofri nenhuma tentativa de furto ou assalto, até porque quase nunca levo o celular. Então é de boas.

Os transeuntes da Faria Lima, aliás, ficam cada um na sua. Geralmente pulam do ônibus já focados somente em chegar ao trabalho no horário.

Tem gente que fica ainda mais absorta no próprio mundinho, olhando fixamente para o celular enquanto andam, sem se dar ao trabalho de desviar das pessoas. Eu às vezes não saio da frente e esbarro.

Lugares para dar uma paradinha

Se estiver esbarrando em muita gente e quiser dar uma paradinha, ou então se quiser tomar um café ao final da sua caminhada, tenho uma sugestão.

O Café Árabe, que fica no número 1987 da avenida Faria Lima, abre às 7 da manhã e serve um ótimo kibe frito e excelentes esfihas abertas. A versão fechada de carne do salgado também é ótima com um molhinho de tahine e azeite.

Outra característica que eu prezo por lá é que quando eu peço um espresso curto, ele vem curto mesmo. Nada daqueles mini baldes de café fraco. O local fica aberto até o fim da tarde e também serve almoço.

O lugar mais bonito desse trecho que eu faço, porém, é o Solar Fábio Prado, que anteriormente abrigava o Museu da Casa Brasileira.

O solar neoclássico foi casa do ex-prefeito que lhe dá nome nos anos 40 e hoje pertence à Fundação Padre Anchieta. O jardim é enorme e muito bonito, abrigando uma unidade do ótimo restaurante Capim Santos.

De vez em quando tem alguma exposição no casarão, que vale muito a visita. Talvez não quando você estiver fazendo seu exercício aeróbico, mas sim em algum outro momento.

Um aeróbico bom para pensar no que vem por aí

Um outro tipo da Faria Lima que me fascina é o que usa fones de ouvido pilotando uma bicicleta ou um patinete. Geralmente, esse tipo não usa capacete. Fico espantado com o desapego à vida de se meter em cruzamentos dessa forma. Em menor escala, temos as pessoas que andam com fones de ouvido, o que também prejudica a noção do que lhes cerca.

Enfim, talvez seja melhor assim que ficar ouvindo coisas sem fone de ouvido e incomodando todo mundo em volta.

Eu não escuto nada a não ser o barulho dos meus pensamentos. Para mim, essa é uma das vantagens de caminhar na rua. Quando faço esteira, é inevitável assistir a um podcast ou ouvir música no celular.

Dessa forma, as caminhadas na Faria Lima acabam sendo um momento de introspecção, combinado, é claro, com a atenção para evitar atropelamentos. Volta e meia sai alguma ideia de texto, principalmente para meu outro blog.

Inevitavelmente acaba sendo uma boa hora para pensar em problemas ou mesmo no futuro. Esse processo de paternidade e os desafios que virão pela frente sempre estão na minha pauta mental. A preocupação com a saúde é uma constante, o que me leva a acelerar o passo e suar um pouco mais.

Quero dar um exemplo de saúde e prática de esportes desde cedo para meu futuro filho. Quem sabe quando ele vier as caminhas tenham virado corridas? Ao menos para correr atrás dele por aí eu tenho que estar pronto.

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