“Aproveita para dormir agora”: o conselho mais comum que recebo

Ultimamente, quando cruzo com pais carregando bebês no meu prédio, tenho arriscado fazer perguntas. Em geral é sobre o carrinho que estão usando, mas pode ser também sobre o canguru. Ou sobre algum item que está acalmando ou distraindo a criança.

Tenho muitas dúvidas, como escrevi aqui no blog sobre os cueiros, por exemplo.

Os futuros colegas em geral respondem com atenção. A primeira coisa que eu digo, claro, é que serei pai em breve, para que não achem que sou um doido. 

Os bebês também são receptivos: até agora nenhum começou a chorar após a minha abordagem, a maioria inclusive sorri. Deve ser algum tipo de curiosidade reversa, por estarem em contato uma voz nova e um rosto engraçado e meio tronxo.

Depois de responderem à minha dúvida específica, a maior parte dos pais me oferece um conselho único: “aproveita para dormir agora, porque depois que nasce…” Os bebês parecem concordar, dando uma risadinha cruel.

Talvez eu deva aproveitar para dormir agora

Eu gosto muito de dormir, é um negócio bem importante para mim. Muitos anos antes da ciência confirmar que 8 horas de sono são fundamentais, eu já cumpria essa regra. Quando era jovem, muitas vezes chegava a 9 ou 10 horas, tudo em nome da saúde, é claro.

E quando dormia quase 12 horas após uma noite de bebedeira? Saúde em primeiro lugar!

Então, é um tema que me interessa. Um dos primeiros posts deste blog tocou nesse tema, aliás. Mas ali eu já demonstrava resignação em dormir muito pouco nos primeiros meses de vida do meu filho. Ou mesmo nos primeiros anos. Ou quem sabe até a adolescência, quando ele começar a sair para noites de bebedeira. O tempo dirá.

aproveita para dormir agora

Os meus antigos companheiros de bebedeira que são pais, aliás, se juntam a esse coro. Vários deles desenvolveram olheiras profundas, como se precisassem ilustrar de forma visual a falta de sono.

Sendo justo, não é uma reclamação dolorosa. Todos mencionam a privação de descanso noturno como algo inerente à paternidade, não como se tivessem sido pegos de surpresa por isso. E os que têm filhos mais velhos fazem questão de reforçar que é uma fase.

Uma fase que dura meses ou anos, dependendo da criança, mas nunca muitos meses ou anos. Ainda não tenho amigos com filhos que tenham idade para beber, por enquanto.

Eu tenho alguma experiência em dormir pouco

De fato, vou precisar me adaptar a dormir pouco. A minha única experiência relevante talvez seja em carnavais e gincanas universitárias, em que ninguém dormia direito por alguns dias e todo mundo se comportava como uma criança bêbada.

E, nesses casos, eram várias crianças bêbadas — os amigos de farra — com quem eu precisava lidar, ao invés de apenas uma, como será agora. Apenas uma poderá vomitar em mim, portanto.

Mas divago. Outra vantagem de eu ter filho depois de mais velho é que, nos últimos anos, desenvolvi a valiosa habilidade de cochilar em qualquer momento e em qualquer lugar. Pense no seu avô ou em tio querido mais idoso que apaga no sofá nas situações mais aleatórias: esse sou eu.

Nutro, assim, a esperança de que eu consiga dar aquelas cochiladas restauradoras com facilidade, recuperando as energias perdidas durante as madrugadas em claro ninando ou dando mamadeira para o meu pequeno.

Outra característica recente que desenvolvi, mas desta vez na contramão da minha idade e da saúde, foi o gosto pelo energético Monster nos sabores Mango Loco e Ultra Fiesta Mango, este último sem açúcar. Acredito que tenha direito a uma licença para degustá-los nos primeiros meses sem dormir direito. Ou anos. Ou até a adolescência do meu filho.

Eu vou ficar bem.

– Leia também (no Blog do Bruno Volpato):

– Gostou do texto? Compartilhe:
Receba os posts no seu email

Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *